O momento de silêncio constrangedor que se seguiu enquanto Iriahin sorria foi suficiente para Anderaken se decidir e agir.
Apesar de mal ter entrado no quarto, assim que que concluiu que o filho realmente estava aprontando algo, correu para fora e trancou a porta.
Iriahin ficou perplexo por um momento e não teve sequer tempo para reagir antes do som da chave sendo girada chegar aos seus ouvidos.
O príncipe correu até a porta e começou a bater com os punhos cerrados.
- Oe, pai! Mas que é isso?! - ele perguntou, gritando e iniciando a conversa através da porta fechada.
- Que caia o mundo se eu não estiver certo, Iriahin! Conte-me já o que está planejando ou não vai sair deste quarto!
- Então se segura aí que vai cair!
- Tem a ver com o seu casamento, não é?
Iriahin se calou imediatamente e por um momento só conseguiu pensar: "Velho maldito! Como é que sempre sabe?".
O plano foi executado sem falhas e no mais completo sigilo. Teria sido apenas azar o rei resolver visita-lo justo naquela noite?
De qualquer forma não adiantava mais nada negar. No momento em que Iriahin se calou, Anderaken soube que estava certo e fez questão de deixar isso claro na sua próxima fala...
- Tens uma bela noiva te esperando e um futuro ainda melhor a vir pela frente, Iriahin.
- Bela noiva?! - o príncipe pareceu realmente surpreso com aquela afirmação. - Tem mais beleza num "borthelon" do que em Schell, pai.
- Mas que exagero, Iriahin! Você não acha que já é hora de aprender a se comportar? Você é filho de Anderaken, Senhor de Taslon. É príncipe da Cidade do Amanhecer e deve pensar e agir como tal!
- Pois que seja! Se é dessa forma que diz, então digo que não me caso.
- Sinto muito, Iriahin! Mas até que cresça você não tem como escolher.
- Hehehe. Ah é?! Então eu aceito o desafio, senhor rei!
Aquelas palavras...
Fisicamente pai e filho não eram muito parecidos. Iriahin havia puxado mais a sua mãe que ao pai.
No entanto, em relação a teimosia, orgulho e espirito de luta os dois estavam páreo a páreo.
O que Iriahin fez foi transformar a coisa toda em um jogo para ambos. Um jogo muito importante que envolveria todo o futuro de Taslon e seus cidadãos, um casamento, nobres, promessas e honras e principalmente... Pai e filho.
- Mas você só pode ter ficado louco. Ainda pretende me desobedecer, Iriahin? - retrucou Anderaken em um tom mais sério.
- Eu nunca planejei casar, pra começo de conversa!
- Pois então aceito teu desafio, moleque! Está preso em teu quarto até o dia de teu casamento. Vai ter uma lição do que é desafiar o próprio sangue.
- Ha! Você é quem vai ver! Você não tem como me manter aqui dentro!
- Não por isso, moleque. Há muitas correntes no calabouço!
- ...Ainda soa melhor do que casamento. - constatou Iriahin, refletindo sobre o assunto.
- Pois saia deste quarto e logo descobrirá! Passar bem, meu filho!
- Boa noite, papai!
Havia um tom cômico e infantil na forma como os dois perdiam a paciência e acabavam discutindo.
Iriahin deu um soco na porta e fez uma careta.
Manteve a mão em punho cerrado de encontro com a madeira enquanto respirava bufando por alguns segundos.
Foram momentos de silêncio e introspecção nervosa que se resultaram em um único pensamento final...
- Aaaaah! MAS O QUE FOI QUE EU FIZ?! - ele falou alto enquanto levava as duas mãos à cabeça.
Sem perceber ele havia caído direitinho no jogo de seu pai e agora estava ali, trancado no próprio quarto sem ter a menor ideia de como faria para chegar ao ponto de encontro onde Aldel provavelmente já aguardava.
Não demorou até ele ouvir dois ou talvez três soldados se aproximarem da porta do quarto pelo lado de fora.
Era óbvio que Anderaken não facilitaria e aqueles soldados montando guarda eram um claro sinal disso.
Aquela altura toda a guarda do castelo e todos os empregados já deveriam estar cientes do castigo do príncipe.
Iriahin andou de um lado para o outro no quarto tentando pensar em algum plano, mas...
- Tudo o que posso fazer é não piorar a situação. - falou consigo mesmo novamente enquanto caía de costas na cama.
Os boatos se espalhariam e logo Aldel saberia do ocorrido.
Talvez então tivessem alguma chance.
- Eu não podia desejar melhor começo pra esta aventura... - e sorriu. - ...Se fosse fácil, não valeria a pena.
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terça-feira, 27 de maio de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
A Prisão do Príncipe (Parte 1 )
- Veja isto, Aldel. - disse Iriahin sobre uma enorme escada de onde arremessou um pesado livro para o amigo. Aldel exitou um momento sem saber se agarrava o livro ou desviava dele. Decidiu agarrar. - Página trezentos e oitenta e seis, "A Flor de Lanta".
O naithlyn carregou o livro para uma mesa onde muitos outros já estavam abertos. Folheou as páginas e encontrou a que Iria havia falado.
- A Flor de Lanta é extremamente rara. - começou a narrar em voz alta o texto enquanto lia. Iriahin pulou do alto da escada direto para o chão e se aproximou do amigo. - Encontra-se geralmente em regiões pantanosas de difícil acesso. Seu perfume é tão desagradável quanto os próprios pântanos e a coloração de suas pétalas estão relacionadas com a intensidade do cheiro...".
Aldel parou de falar e se virou lentamente para Iriahin.
- Eu não acredito nisso. - disse o naith.
- Vamos para o norte, Aldel.
- Pântanos nojentos... E perigosos... Não que eu ligue de correr riscos, mas... Por uma flor fedorenta?
- Será divertido!
- Não duvido, mas confesso que odeio pântanos. Além disso, vamos precisar de muita comida.
- Nem tanto. - Iriahin respondeu sentando numa cadeira e colocando os pés sobre a mesa.
- Nem tanto...? - Aldel estranhou, mas logo entendeu. - Você está pensando em cruzar a região sem dono, não é?
- Se é sem dono... - O garoto deu de ombros e quase caiu com cadeira e tudo quando a inclinuou para trás. - Não será por muito tempo.
Aldel estava sorrindo. Sentia o friozinho barriga de ansiedade, mas ainda assim ponderava os riscos de tudo que o amigo estava lhe dizendo.
Pode-se dizer que nesse sentido Iriahin sempre foi mais naithlyn que Aldel.
Uma das características do naithlyns é a despreocupação e a simplicidade de pensamento. No entanto, é provável que em seu curto período de vida Aldel tenha se metido em três ou quatro vezes mais confusões na companhia de Iriahin do que um naithlyn comum conseguiria durante toda sua longa vida. Ter se tornado um gato cuidadoso não é apenas natural, mas uma evolução para garantir sua auto-preservação.
Agora ele coçava com o dedo indicador direito a região da testa próxima a sua gema e Iriahin sabia que isso significava que Aldel provavelmente não estava conseguindo pensar em mais nada problemático.
- Uma aventura geralmente compensa os perigos com riquezas, não é? O que vamos ganhar com isso além da flor fedorenta? Que raios de aventura será essa a nossa?
- Nossa aventura...?
Iriahin se levantou de uma vez só e a cadeira de madeira foi direto de encontro ao chão. Ele inspirou fundo e começou seu teatro.
- É a aventura de um apaixonado! Um louco desesperado! - pulou sobre a mesa e cerrou a mão em punho. - A aventura de um herói disposto a arriscar a própria vida como prova de amor!
Iriahin foi erguendo a mão cerrada para cima como se elevasse uma espada aos céus. Estava tão inserido em seu personagem que seus olhos brilhavam reluzindo as luzes das velas da biblioteca.
Aldel se limitava a assistir. Não era a primeira vez que presenciava um surto teatral de Iria.
Na verdade, aquilo era mais frequente do que pode-se imaginar. Mas para trazer o amigo de volta a realidade ele arremessou um livro que quase o atingiu na cabeça.
- Caro senhor louco apaixonado. Pelo que eu bem te conheço seus maiores tesouros são seus problemas. Mas e a minha parte?
- ...Que tal metade dos meus tesouros e minha eterna gratidão?
- Em outras palavras, nada além da boa amizade.
- Isso... E metade do que encontrarmos de valor.
- Gosto da parte da amizade e da metade do que encontrarmos de valor. Como sou muito gentil deixo você ficar com seus tesouros problemáticos.
- Quanta gentileza, senhor Aldel! Muito obrigado!
- Então...
Iriahin encarnou novamente seu galante personagem e ainda em cima da mesa voltou a erguer a mão.
- Que se inicie esta nossa nobre aventura em busca do perfume que o amor merece!
Os dois riram muito aquele dia.
Pegaram um mapa e começaram a planejar a rota de viagem. Paravam aqui e ali para comentar sobre as peculiaridades de certas regiões e também para imaginar a cara que Schell faria ao receber tal sinal de afeto.
Decidiram tudo. Dia e horário da partida, onde seria o ponto de encontro, o trajeto que fariam e a quantidade de suprimentos necessário.
Nos próximo dias dividiram as tarefas e as executaram metodicamente tomando precauções para não serem descobertos.
Parecia estar tudo certo, a unica coisa com a qual não contavam era...
- Iriahin. - disse Anderaken, pai de Iriahin e rei de Taslon, do lado de fora do quarto enquanto batia na porta.
Era um homem alto e de porte imponente. Tinha longos cabelos brancos e lisos, olhos azuis escuros como o oceano e pele clara. Sua expressão sempre calma e séria passava a impressão de ser um bom homem e um bom rei.
- Hey, pai! Tudo bem? - disse Iriahin, tentando disfarçar e empurrando sua mochila para debaixo da cama com o pé.
Não era incomum Anderaken visitar seu filho em seu quarto, mas notavelmente Iriahin não esperava por aquilo justo naquela ocasião.
Era como se o rei tivesse farejado no ar que o filho estava prestes a aprontar alguma coisa.
E não era pra menos...
Da mesma forma que Aldel havia aprendido a preservar o que ainda restava de suas vidas de gato, Anderaken também havia desenvolvido habilidades inconscientes de notar alterações no comportamento do filho e ele sabia que para ter certeza só precisava fazer uma pergunta.
- Iriahin... - disse ele em tom sério e desconfiado, propositadamente prolongando a ultima silaba do nome do filho. - O que é que você está aprontando agora?
- Aprontando...? Eu...?
E estava feito...
Os olhos de Anderaken se apertaram e ele imediatamente soltou uma rajada de ar pelo nariz. Sua testa se franziu em preocupação e sua boca se torceu numa notável expressão de desconforto.
Por mais que o rei não soubesse do que se tratava, ele tinha certeza que o filho estava aprontando.
Frente aquilo Iriahin fez a unica coisa que conseguia se lembrar de fazer...
- Hehe... - ...Sorrir descaradamente como cínico culpado.
O naithlyn carregou o livro para uma mesa onde muitos outros já estavam abertos. Folheou as páginas e encontrou a que Iria havia falado.
- A Flor de Lanta é extremamente rara. - começou a narrar em voz alta o texto enquanto lia. Iriahin pulou do alto da escada direto para o chão e se aproximou do amigo. - Encontra-se geralmente em regiões pantanosas de difícil acesso. Seu perfume é tão desagradável quanto os próprios pântanos e a coloração de suas pétalas estão relacionadas com a intensidade do cheiro...".
Aldel parou de falar e se virou lentamente para Iriahin.
- Eu não acredito nisso. - disse o naith.
- Vamos para o norte, Aldel.
- Pântanos nojentos... E perigosos... Não que eu ligue de correr riscos, mas... Por uma flor fedorenta?
- Será divertido!
- Não duvido, mas confesso que odeio pântanos. Além disso, vamos precisar de muita comida.
- Nem tanto. - Iriahin respondeu sentando numa cadeira e colocando os pés sobre a mesa.
- Nem tanto...? - Aldel estranhou, mas logo entendeu. - Você está pensando em cruzar a região sem dono, não é?
- Se é sem dono... - O garoto deu de ombros e quase caiu com cadeira e tudo quando a inclinuou para trás. - Não será por muito tempo.
Aldel estava sorrindo. Sentia o friozinho barriga de ansiedade, mas ainda assim ponderava os riscos de tudo que o amigo estava lhe dizendo.
Pode-se dizer que nesse sentido Iriahin sempre foi mais naithlyn que Aldel.
Uma das características do naithlyns é a despreocupação e a simplicidade de pensamento. No entanto, é provável que em seu curto período de vida Aldel tenha se metido em três ou quatro vezes mais confusões na companhia de Iriahin do que um naithlyn comum conseguiria durante toda sua longa vida. Ter se tornado um gato cuidadoso não é apenas natural, mas uma evolução para garantir sua auto-preservação.
Agora ele coçava com o dedo indicador direito a região da testa próxima a sua gema e Iriahin sabia que isso significava que Aldel provavelmente não estava conseguindo pensar em mais nada problemático.
- Uma aventura geralmente compensa os perigos com riquezas, não é? O que vamos ganhar com isso além da flor fedorenta? Que raios de aventura será essa a nossa?
- Nossa aventura...?
Iriahin se levantou de uma vez só e a cadeira de madeira foi direto de encontro ao chão. Ele inspirou fundo e começou seu teatro.
- É a aventura de um apaixonado! Um louco desesperado! - pulou sobre a mesa e cerrou a mão em punho. - A aventura de um herói disposto a arriscar a própria vida como prova de amor!
Iriahin foi erguendo a mão cerrada para cima como se elevasse uma espada aos céus. Estava tão inserido em seu personagem que seus olhos brilhavam reluzindo as luzes das velas da biblioteca.
Aldel se limitava a assistir. Não era a primeira vez que presenciava um surto teatral de Iria.
Na verdade, aquilo era mais frequente do que pode-se imaginar. Mas para trazer o amigo de volta a realidade ele arremessou um livro que quase o atingiu na cabeça.
- Caro senhor louco apaixonado. Pelo que eu bem te conheço seus maiores tesouros são seus problemas. Mas e a minha parte?
- ...Que tal metade dos meus tesouros e minha eterna gratidão?
- Em outras palavras, nada além da boa amizade.
- Isso... E metade do que encontrarmos de valor.
- Gosto da parte da amizade e da metade do que encontrarmos de valor. Como sou muito gentil deixo você ficar com seus tesouros problemáticos.
- Quanta gentileza, senhor Aldel! Muito obrigado!
- Então...
Iriahin encarnou novamente seu galante personagem e ainda em cima da mesa voltou a erguer a mão.
- Que se inicie esta nossa nobre aventura em busca do perfume que o amor merece!
Os dois riram muito aquele dia.
Pegaram um mapa e começaram a planejar a rota de viagem. Paravam aqui e ali para comentar sobre as peculiaridades de certas regiões e também para imaginar a cara que Schell faria ao receber tal sinal de afeto.
Decidiram tudo. Dia e horário da partida, onde seria o ponto de encontro, o trajeto que fariam e a quantidade de suprimentos necessário.
Nos próximo dias dividiram as tarefas e as executaram metodicamente tomando precauções para não serem descobertos.
Parecia estar tudo certo, a unica coisa com a qual não contavam era...
- Iriahin. - disse Anderaken, pai de Iriahin e rei de Taslon, do lado de fora do quarto enquanto batia na porta.
Era um homem alto e de porte imponente. Tinha longos cabelos brancos e lisos, olhos azuis escuros como o oceano e pele clara. Sua expressão sempre calma e séria passava a impressão de ser um bom homem e um bom rei.
- Hey, pai! Tudo bem? - disse Iriahin, tentando disfarçar e empurrando sua mochila para debaixo da cama com o pé.
Não era incomum Anderaken visitar seu filho em seu quarto, mas notavelmente Iriahin não esperava por aquilo justo naquela ocasião.
Era como se o rei tivesse farejado no ar que o filho estava prestes a aprontar alguma coisa.
E não era pra menos...
Da mesma forma que Aldel havia aprendido a preservar o que ainda restava de suas vidas de gato, Anderaken também havia desenvolvido habilidades inconscientes de notar alterações no comportamento do filho e ele sabia que para ter certeza só precisava fazer uma pergunta.
- Iriahin... - disse ele em tom sério e desconfiado, propositadamente prolongando a ultima silaba do nome do filho. - O que é que você está aprontando agora?
- Aprontando...? Eu...?
E estava feito...
Os olhos de Anderaken se apertaram e ele imediatamente soltou uma rajada de ar pelo nariz. Sua testa se franziu em preocupação e sua boca se torceu numa notável expressão de desconforto.
Por mais que o rei não soubesse do que se tratava, ele tinha certeza que o filho estava aprontando.
Frente aquilo Iriahin fez a unica coisa que conseguia se lembrar de fazer...
- Hehe... - ...Sorrir descaradamente como cínico culpado.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Iriahin - Príncipe de Taslon
Ouvindo: Symphonic Fantasies - Chrono Medley part 1/2 e 2/2
- Hahaha, veja só isto Aldel... - disse Iriahin com voz irônica enquanto lia uma carta e gesticulava teatralmente para enfatizar o que narrava. - "Não há momento do dia que não pense em você e sinto-me mais feliz a cada nova manhã. Meu amor cresce a cada segundo...". Aí vem um monte de blá-blá-blá... E... Aqui! "Anseio pelo dia em que fitarei mais uma vez o brilho de Taslon em seu olhar...". HÁ! Pois que vá sonhando!
O garoto amassou a carta, jogou para cima e com um chute a mandou para dentro da floresta.
Este era Iriahin, príncipe daquela conhecida como Taslon, a Cidade do Amanhecer, e filho de Anderaken. Um garoto que aparentava não ter mais que dezoito anos. Olhos escuros, castanhos no claro e eventualmente azulados em algumas ocasiões. Cabelos negros e sempre bagunçados apesar de todos os esforços que seus cuidadores reais sempre tiveram para com ele.
De fato, da realeza Iriahin só carregava o título, pois pela aparência e comportamento dificilmente seria tomado por príncipe.
O cabelo despenteado era apenas parte de seu visual. Tinha conjuntos de roupas velhas, sujas e rasgadas guardadas nos mais diversos cantos da cidade e do castelo, prontas para serem usadas sempre que escapava do castelo.
E não é preciso dizer que "escapar" do castelo era algo que fazia com certa frequência. Na verdade os tutores e soldados já não se incomodavam mais em persegui-lo como faziam quando era menor, mas ainda assim Iriahin preferia estas roupas do que as pomposas vestes da realeza.
- Não devia fazer pouco caso do amor da jovem Schell, Iriahin. - replicou Aldel, o amigo que estava sentado em um galho de árvore. - Ela parece sincera em suas palavras.
O garoto não poderia ser mais diferente e ao mesmo tempo não poderia ser mais parecido com o príncipe.
Para começar, apesar de fisionomicamente serem muito parecidos com humanos, nenhum dos dois eram.
Enquanto Iriahin pertencia a raça conhecida como Lumnus, Aldel pertencia aos Naithlyns.
E sendo um naithlyn, Aldel era um amante da liberdade e da arte... Pelo que ele entendia por arte.
Esta raça muito peculiar é dotada da capacidade de mudar de forma, abandonar a aparência humana e se transformar em uma espécie de gato de duas caudas.
...Coisa que os lumnus não podem fazer.
Além disso os naithlyns possuem em suas testas uma pequena jóia que realmente faz parte de seus corpos e varia de coloração e forma de acordo com o indivíduo.
Na forma de gatos seus pelos são da cor e padrões de seus cabelos, no caso de Aldel um tom roxo e espetado. Na forma humana o garoto aparenta ter cerca de quatorze anos, com os olhos e a gema em sua testa, ambos em um tom azul escuro.
- Amor?! Há mais amor nesta árvore em que você está que no coração de Schell, Aldel. - replicou Iriahin. - Ela nunca teria escrito esta carta.
- E como você sabe?
- A letra da assinatura era diferente! Provavelmente o pai contratou algum idiota pra escrever e ela foi obrigada a assinar.
- Se você diz... Mas é tua noiva de qualquer forma, não é? Será tua esposa... E não parece uma boa ideia que ela te odeie.
- Que me odeie até seu coração virar pedra! E isso acontecerá muito antes dela me ter como marido.
Aldel, que até então estava sossegadamente deitado em um galho e recostado no tronco da árvore, finalmente abriu os olhos e voltou sua atenção para o amigo.
- O que quer dizer? - perguntou, já prevendo o que viria a seguir.
- Bem... Eu não posso casar se não estiver aqui, não é mesmo?
Sim... Ele estava com aquele olhar...
E Aldel reconheceu no momento em que viu.
Os olhos brilhando por trás de pálpebras semi-cerradas e um meio sorriso no canto dos lábios. A expressão inconfundível que Iriahin tinha no rosto sempre que estava planejando aprontar alguma coisa.
- Ha! Vai fugir?!
- Fugir? - Iriahin fingiu indignação. - Não! Fugir é um termo muito forte para um problema tão pequeno. Vou partir em uma aventura!
- Sei. - Aldel sorriu. - Por que é que prevejo um rei furioso?
- Antes ele furioso do que eu. Alias, pensando bem... Não fui eu quem prometeu nada. Se ele não gostar, que desfaça essa palhaçada de casamento.
Aldel ponderou por um momento e...
- Faz sentido. - disse antes de pular da árvore para perto do amigo. - Pelo visto você já pensou em tudo.
O príncipe apenas sorriu maliciosamente e os dois se colocaram a caminhar.
- Devemos partir o mais cedo possível. Sei que meu pai já deve suspeitar de mim. Mas lembre-se! Isto não é uma fuga, é uma aventura!
- Pois bem, que seja. Em que se baseia esta nossa aventura?
...E lá estava novamente... Aquele olhar na cara deslavada de Iriahin.
Aldel não pode evitar gargalhar.
- Hahaha, veja só isto Aldel... - disse Iriahin com voz irônica enquanto lia uma carta e gesticulava teatralmente para enfatizar o que narrava. - "Não há momento do dia que não pense em você e sinto-me mais feliz a cada nova manhã. Meu amor cresce a cada segundo...". Aí vem um monte de blá-blá-blá... E... Aqui! "Anseio pelo dia em que fitarei mais uma vez o brilho de Taslon em seu olhar...". HÁ! Pois que vá sonhando!
O garoto amassou a carta, jogou para cima e com um chute a mandou para dentro da floresta.
Este era Iriahin, príncipe daquela conhecida como Taslon, a Cidade do Amanhecer, e filho de Anderaken. Um garoto que aparentava não ter mais que dezoito anos. Olhos escuros, castanhos no claro e eventualmente azulados em algumas ocasiões. Cabelos negros e sempre bagunçados apesar de todos os esforços que seus cuidadores reais sempre tiveram para com ele.
De fato, da realeza Iriahin só carregava o título, pois pela aparência e comportamento dificilmente seria tomado por príncipe.
O cabelo despenteado era apenas parte de seu visual. Tinha conjuntos de roupas velhas, sujas e rasgadas guardadas nos mais diversos cantos da cidade e do castelo, prontas para serem usadas sempre que escapava do castelo.
E não é preciso dizer que "escapar" do castelo era algo que fazia com certa frequência. Na verdade os tutores e soldados já não se incomodavam mais em persegui-lo como faziam quando era menor, mas ainda assim Iriahin preferia estas roupas do que as pomposas vestes da realeza.
- Não devia fazer pouco caso do amor da jovem Schell, Iriahin. - replicou Aldel, o amigo que estava sentado em um galho de árvore. - Ela parece sincera em suas palavras.
O garoto não poderia ser mais diferente e ao mesmo tempo não poderia ser mais parecido com o príncipe.
Para começar, apesar de fisionomicamente serem muito parecidos com humanos, nenhum dos dois eram.
Enquanto Iriahin pertencia a raça conhecida como Lumnus, Aldel pertencia aos Naithlyns.
E sendo um naithlyn, Aldel era um amante da liberdade e da arte... Pelo que ele entendia por arte.
Esta raça muito peculiar é dotada da capacidade de mudar de forma, abandonar a aparência humana e se transformar em uma espécie de gato de duas caudas.
...Coisa que os lumnus não podem fazer.
Além disso os naithlyns possuem em suas testas uma pequena jóia que realmente faz parte de seus corpos e varia de coloração e forma de acordo com o indivíduo.
Na forma de gatos seus pelos são da cor e padrões de seus cabelos, no caso de Aldel um tom roxo e espetado. Na forma humana o garoto aparenta ter cerca de quatorze anos, com os olhos e a gema em sua testa, ambos em um tom azul escuro.
- Amor?! Há mais amor nesta árvore em que você está que no coração de Schell, Aldel. - replicou Iriahin. - Ela nunca teria escrito esta carta.
- E como você sabe?
- A letra da assinatura era diferente! Provavelmente o pai contratou algum idiota pra escrever e ela foi obrigada a assinar.
- Se você diz... Mas é tua noiva de qualquer forma, não é? Será tua esposa... E não parece uma boa ideia que ela te odeie.
- Que me odeie até seu coração virar pedra! E isso acontecerá muito antes dela me ter como marido.
Aldel, que até então estava sossegadamente deitado em um galho e recostado no tronco da árvore, finalmente abriu os olhos e voltou sua atenção para o amigo.
- O que quer dizer? - perguntou, já prevendo o que viria a seguir.
- Bem... Eu não posso casar se não estiver aqui, não é mesmo?
Sim... Ele estava com aquele olhar...
E Aldel reconheceu no momento em que viu.
Os olhos brilhando por trás de pálpebras semi-cerradas e um meio sorriso no canto dos lábios. A expressão inconfundível que Iriahin tinha no rosto sempre que estava planejando aprontar alguma coisa.
- Ha! Vai fugir?!
- Fugir? - Iriahin fingiu indignação. - Não! Fugir é um termo muito forte para um problema tão pequeno. Vou partir em uma aventura!
- Sei. - Aldel sorriu. - Por que é que prevejo um rei furioso?
- Antes ele furioso do que eu. Alias, pensando bem... Não fui eu quem prometeu nada. Se ele não gostar, que desfaça essa palhaçada de casamento.
Aldel ponderou por um momento e...
- Faz sentido. - disse antes de pular da árvore para perto do amigo. - Pelo visto você já pensou em tudo.
O príncipe apenas sorriu maliciosamente e os dois se colocaram a caminhar.
- Devemos partir o mais cedo possível. Sei que meu pai já deve suspeitar de mim. Mas lembre-se! Isto não é uma fuga, é uma aventura!
- Pois bem, que seja. Em que se baseia esta nossa aventura?
...E lá estava novamente... Aquele olhar na cara deslavada de Iriahin.
Aldel não pode evitar gargalhar.
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